terça-feira, 30 de julho de 2013

A minha conquista da Libertadores.

Hoje, por dádiva divina, pude carregá-la, acariciá-la, colocá-la no colo, conversar no ouvidinho. Confidenciei quantas noites de sono perdi, quantas vezes com ela sonhei. Falei do aperto no coração que sentia quando a via de braços dados com outro alguém, decerto por culpa minha que não soube conquistá-la naquele tempo. Lembrei de como no passado me impediram dela perto chegar quando mais tive chances. Confessei-lhe que não dava mais para ouvir aqueles que com ela já haviam por sorte se aventurado. Dedurei os que a exibiam e de quem ela nem mais se lembrava. Contei como os tolos e ingênuos me diziam que nunca eu iria conquistá-la. Fomos nos entendendo. Pouco a pouco.

Olhei firme na prata da esfera de sua cúpula, reluzente. Vi o baixo relevo das bandeiras das nações sul americanas, do mapa e da inscrição “Copa Libertadores” na cinta que a envolve. Suas perfeitas orelhas adornadas com fitas alvinegras e seu pescoço alongado. Seu sinuoso corpo de cedro e as marcas de quem outrora com ela já se deitou. Tão fácil e ao mesmo tempo tão difícil. Ah, Libertadores... passear por suas curvas é demais!

Cochichou no meu ouvido que há muito me queria, mas precisava de provas de amor inacreditáveis, que esperava entrega e fé, mas encontrou ainda mais. Encontrou um pênalti defendido com o pé esquerdo nos acréscimos, encontrou viradas históricas e uma campanha sem igual desde o River de 1996. Abriu o seu coração do tamanho da América para me dizer que eu era dos maiores, que era forte e que muito me admirava. Sussurrou que era para eu não me importar com aquele passado, quando não era tão desejada e até usou maria-chiquinha, abriu o jogo dizendo que havia mesmo perdido tempo com quem não lhe merecia por uma ou duas vezes.

Abracei-a. Envolvi meu braço direito pela sinuosidade de sua base, o esquerdo em seu pescoço. Meu coração trepidava com a adrenalina de tudo que pode ser tão fácil e simples, mas que tem a primeira vez nervosa e repleta de ansiedade. Um calor que vem da alma, do amor. Sentia a minha pulsação na ponta dos dedos, no ouriçar dos pelos, no dilatar da pupila. Beije-me, senti ela dizer.  Sou sua, meu campeão 2013, completou. Beijei-a. Eu te amo, juramos um ao outro.